{"id":17151,"date":"2026-03-08T15:23:39","date_gmt":"2026-03-08T18:23:39","guid":{"rendered":"https:\/\/portal.macae.ufrj.br\/?p=17151"},"modified":"2026-03-16T12:18:31","modified_gmt":"2026-03-16T15:18:31","slug":"feminicidio-e-violencia-ressignificando-o-dia-da-mulher","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portal.macae.ufrj.br\/pt_br\/feminicidio-e-violencia-ressignificando-o-dia-da-mulher\/","title":{"rendered":"Feminic\u00eddio e viol\u00eancia: ressignificando o Dia da Mulher."},"content":{"rendered":"\n<p>Pesquisa da Escola de Comunica\u00e7\u00e3o (ECO) apresenta abordagem sobre o tema e prop\u00f5e reflex\u00f5es coletivas.<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Por\u00a0<a href=\"https:\/\/conexao.ufrj.br\/author\/tassia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Tassia Menezes<\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"https:\/\/conexao.ufrj.br\/2026\/03\/feminicidio-e-violencia-ressignificando-o-dia-da-mulher\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">8 de mar\u00e7o de 2026<\/a><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Os casos de feminic\u00eddio no Brasil t\u00eam apresentado um aumento que n\u00e3o deve ser ignorado. De acordo com levantamento divulgado pelo F\u00f3rum de Seguran\u00e7a P\u00fablica \u00e0s v\u00e9speras do Dia da Mulher, nos \u00faltimos dez anos os casos de assassinatos cometidos contra mulheres apenas por serem mulheres aumentaram de 449, em 2015, para 1.568, em 2025, o que equivale a um crescimento de mais de 300% em uma d\u00e9cada. Ainda que as maiores taxas sejam observadas nas cidades menores, o aumento do n\u00famero de registros pode tamb\u00e9m estar relacionado \u00e0 maior compreens\u00e3o do tema, bem como sua populariza\u00e7\u00e3o a partir de ve\u00edculos midi\u00e1ticos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A lei que trata do crime foi sancionada em 2015 (Lei n\u00ba 13.104\/2015), definindo feminic\u00eddio como um homic\u00eddio cometido \u201c\u200bcontra a mulher por raz\u00f5es da condi\u00e7\u00e3o de sexo feminino\u201d. Com isso, o feminic\u00eddio passou a ser considerado um crime hediondo, com puni\u00e7\u00f5es mais severas previstas no C\u00f3digo Penal. Mais recentemente, em 2024, o feminic\u00eddio passou a ser considerado um crime aut\u00f4nomo no C\u00f3digo Penal, n\u00e3o sendo mais compreendido como um tipo de homic\u00eddio agravado, mas sim como uma falta espec\u00edfica, que conta com regras pr\u00f3prias de puni\u00e7\u00e3o. Atualmente, para um assassinato ser reconhecido como feminic\u00eddio, ele deve ocorrer em contexto de viol\u00eancia dom\u00e9stica ou familiar, ou ser motivado por discrimina\u00e7\u00e3o e menosprezo \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de mulher. Os casos, infelizmente, n\u00e3o s\u00e3o poucos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A maioria dos casos de feminic\u00eddio registrados no pa\u00eds s\u00e3o cometidos por parceiros ou ex-parceiros. Entre eles, est\u00e1 o incidente que tirou a vida da advogada Tatiane Spitzner, jogada do quarto andar pelo marido, em 2018, por exemplo. No entanto, nem todos esses crimes acontecem em cen\u00e1rio dom\u00e9stico. Um caso mais recente ocorreu em novembro de 2025 no campus do Centro Federal de Educa\u00e7\u00e3o Tecnol\u00f3gica Celso Suckow da Fonseca (Cefet-RJ), no qual duas servidoras p\u00fablicas funcion\u00e1rias da institui\u00e7\u00e3o \u2013 a diretora Allane Pedrotti e a psic\u00f3loga Laysa Pinheiro \u2013 foram assassinadas por um colega de trabalho. O acontecimento levantou debates sobre a viol\u00eancia contra a mulher e gerou uma nota oficial do Minist\u00e9rio das Mulheres, que afirmou: \u201cA viol\u00eancia contra mulheres, em qualquer espa\u00e7o, \u00e9 inaceit\u00e1vel e deve ser combatida pela sociedade de forma veemente\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Feminic\u00eddio no Telejornalismo<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>A observa\u00e7\u00e3o dessa realidade enfrentada por mulheres motivou a pesquisadora J\u00falia Versani a desenvolver sua tese de doutorado \u201cFeminic\u00eddio no Telejornalismo: matriz melodram\u00e1tica e novos ideais femininos\u201d, defendida no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Comunica\u00e7\u00e3o da Universidade Federal do Rio de Janeiro (PPGCOM\/UFRJ) em 2023. Graduada em Comunica\u00e7\u00e3o Social com habilita\u00e7\u00e3o em Publicidade e Propaganda pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), J\u00falia sempre se interessou por estudos de g\u00eanero. Ap\u00f3s investigar o discurso de \u00f3dio antifeminista ao longo de sua pesquisa de mestrado \u2013 tamb\u00e9m desenvolvida no PPGCOM \u2013, no doutorado a pesquisadora voltou seu olhar para a maneira como o feminic\u00eddio \u00e9 apresentado no telejornalismo brasileiro. De acordo com a pesquisadora, essas m\u00eddias oferecem, para al\u00e9m do texto, outros elementos simb\u00f3licos que podem ser analisados, como imagens e sons.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, a investiga\u00e7\u00e3o analisou telejornais exibidos entre 2018 e 2020, utilizando a plataforma de&nbsp;<em>streaming<\/em>&nbsp;Globoplay para acessar tanto programas de alcance nacional quanto produ\u00e7\u00f5es locais. Um dos principais achados da pesquisa apoiou-se na relev\u00e2ncia dada \u00e0 dor das fam\u00edlias nas reportagens. De acordo com a pesquisadora, h\u00e1 um espa\u00e7o significativo ofertado \u00e0s m\u00e3es das v\u00edtimas, que muitas vezes s\u00e3o transformadas em porta-vozes da luta por justi\u00e7a. Ao mesmo tempo, ainda que a cobertura enfatize o aspecto emocional dos casos, n\u00e3o \u00e9 comum o aprofundamento de discuss\u00f5es estruturais sobre preven\u00e7\u00e3o e enfrentamento da viol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cMe mobilizou o inc\u00f4modo de perceber que existe uma abertura para os familiares, mas a reportagem acaba n\u00e3o dando direcionamento sobre o que fazer. Mobilizar esse sentimento pode ser importante, por\u00e9m tamb\u00e9m \u00e9 relevante se perguntar que pol\u00edticas p\u00fablicas podem ser necess\u00e1rias. A pris\u00e3o pode ser necess\u00e1ria, mas existem outras medidas que tamb\u00e9m s\u00e3o, inclusive de preven\u00e7\u00e3o. \u00c9 importante aumentar esse debate\u201d, afirma a pesquisadora.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante do cen\u00e1rio, a tese de J\u00falia prop\u00f5e que os casos de feminic\u00eddio registrados n\u00e3o sejam tratados como isolados ou espor\u00e1dicos, nos quais os assassinos s\u00e3o retratados apenas como monstros ou indiv\u00edduos desequilibrados. Para ela, a viol\u00eancia aparece como retrato de uma realidade de desigualdade, na qual ainda persiste a ideia de que o homem teria poder sobre a mulher, inclusive o poder de puni-la. Afinal, o fato de a legisla\u00e7\u00e3o contra esse tipo de viol\u00eancia ser t\u00e3o recente \u2013 pouco mais de uma d\u00e9cada \u2013 tamb\u00e9m evidencia a necessidade de mudan\u00e7as. Assim, a pesquisa aponta para a import\u00e2ncia n\u00e3o apenas de narrar a dor, mas de ampliar o debate p\u00fablico sobre preven\u00e7\u00e3o, pol\u00edticas p\u00fablicas e transforma\u00e7\u00e3o social.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Neste 8 de mar\u00e7o, J\u00falia defende que o Dia Internacional da Mulher precisa ser constantemente ressignificado, j\u00e1 que existem motivos para comemorar, mas ainda h\u00e1 muito o que evoluir. Ela refor\u00e7a que a data deve ser encarada como momento de reflex\u00e3o: \u201cParece simples, mas no Dia da Mulher \u00e9 preciso lembrar que as mulheres s\u00e3o seres humanos e t\u00eam o direito humano mais importante, que \u00e9 o direito \u00e0 vida. N\u00e3o \u00e9 para idealiz\u00e1-las. Se errarem, elas tamb\u00e9m t\u00eam esse direito. Ningu\u00e9m tem o direito de puni-las\u201d, conclui.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Fonte: <\/strong><a href=\"https:\/\/conexao.ufrj.br\/2026\/03\/feminicidio-e-violencia-ressignificando-o-dia-da-mulher\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/conexao.ufrj.br\/2026\/03\/feminicidio-e-violencia-ressignificando-o-dia-da-mulher\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ilustra\u00e7\u00e3o: <\/strong>Marco A. (SGCOM\/UFRJ)<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisa da Escola de Comunica\u00e7\u00e3o (ECO) apresenta abordagem sobre o tema e prop\u00f5e reflex\u00f5es coletivas. Os casos de feminic\u00eddio no Brasil t\u00eam apresentado um aumento que n\u00e3o deve ser ignorado. 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